A reabilitação oral com implantes evoluiu significativamente nas últimas décadas, oferecendo soluções cada vez mais previsíveis para pacientes parcial ou totalmente edêntulos. Entre as abordagens mais utilizadas, destacam-se o protocolo All-on-Four e os protocolos tradicionais com maior número de implantes. A escolha entre essas opções deve ser criteriosa e baseada em avaliação clínica individualizada.

Neste artigo, discutimos as principais diferenças entre o All-on-Four e os protocolos tradicionais, suas indicações, limitações e critérios para a tomada de decisão clínica.

O que é o protocolo Allon-Four?

O All-on-Four é uma técnica de reabilitação que utiliza quatro implantes estrategicamente posicionados para suportar uma prótese fixa total. Dois implantes anteriores são posicionados de forma axial, enquanto os posteriores são inclinados, permitindo melhor aproveitamento do osso disponível e redução do cantilever distal.

Entre as principais vantagens do All-on-Four estão a possibilidade de carga imediata, menor necessidade de enxertos ósseos e redução do tempo total de tratamento. Quando bem indicado, o protocolo apresenta altos índices de sucesso e elevada satisfação do paciente.

O que são os protocolos tradicionais com implantes?

Os protocolos tradicionais envolvem a instalação de maior número de implantes, geralmente entre seis e oito por arcada, posicionados de forma axial. Essa abordagem busca distribuir melhor as cargas oclusais e, muitas vezes, está associada a procedimentos de regeneração óssea para viabilizar o posicionamento ideal dos implantes.

Embora o tempo de tratamento seja, em muitos casos, mais longo, os protocolos tradicionais oferecem maior flexibilidade protética e podem ser indicados em situações em que a biomecânica do caso exige maior número de pilares.

Principais diferenças entre Allon-Four e protocolos tradicionais

A principal diferença entre as abordagens está na quantidade e no posicionamento dos implantes. O All-on-Four prioriza a inclinação dos implantes posteriores para evitar áreas anatômicas críticas, enquanto os protocolos tradicionais buscam posicionamento axial, mesmo que isso exija enxertos ósseos. Outra diferença relevante é o tempo de tratamento. O All-on-Four frequentemente permite carga imediata, enquanto os protocolos tradicionais podem demandar períodos mais longos de osseointegração antes da instalação da prótese definitiva.

Quando escolher o Allon-Four?

O All-on-Four é indicado principalmente para pacientes edêntulos totais ou com dentição severamente comprometida, que apresentam reabsorção óssea posterior e desejam uma solução mais rápida e menos invasiva.

Casos em que o paciente possui limitações sistêmicas, restrições financeiras ou busca redução no número de procedimentos cirúrgicos também podem se beneficiar do All-on-Four. No entanto, é fundamental garantir estabilidade primária adequada e planejamento protético preciso para o sucesso do tratamento.

Quando optar por protocolos tradicionais?

Os protocolos tradicionais são mais indicados em pacientes com bom volume ósseo, ausência de restrições anatômicas e necessidade de maior suporte protético. Em situações de bruxismo severo, alta carga oclusal ou quando se deseja reduzir ainda mais o cantilever, a utilização de mais implantes pode ser vantajosa.

Além disso, casos estéticos complexos, que exigem maior controle do perfil de emergência e da posição protética, podem se beneficiar da flexibilidade oferecida pelos protocolos tradicionais.

Fatores clínicos que influenciam a escolha do protocolo

A decisão entre All-on-Four e protocolos tradicionais deve considerar diversos fatores clínicos. A qualidade e quantidade óssea, a relação intermaxilar, o padrão oclusal, a presença de hábitos parafuncionais e as condições sistêmicas do paciente são determinantes.

A expectativa do paciente em relação ao tempo de tratamento, custo e manutenção também deve ser considerada. A comunicação clara sobre vantagens, limitações e cuidados pós-operatórios é essencial para alinhar expectativas.

Importância do planejamento reverso

Independentemente do protocolo escolhido, o planejamento reverso é indispensável. A definição prévia da prótese, da posição dos dentes e da oclusão orienta o posicionamento correto dos implantes, reduzindo riscos biomecânicos e protéticos.

O uso de ferramentas digitais, como planejamento virtual e guias cirúrgicos, aumenta a previsibilidade e contribui para melhores resultados clínicos em ambas as abordagens.

Manutenção e acompanhamento a longo prazo

O sucesso de qualquer reabilitação com implantes depende do acompanhamento contínuo. Protocolos de manutenção, higiene adequada e retornos periódicos são fundamentais para prevenir complicações como peri-implantite, afrouxamento de componentes e falhas protéticas.

Tanto no All-on-Four quanto nos protocolos tradicionais, a longevidade do tratamento está diretamente relacionada à adesão do paciente aos cuidados recomendados.

Não existe um protocolo universalmente superior. O All-on-Four e os protocolos tradicionais são abordagens consagradas e eficazes quando corretamente indicadas. A escolha deve ser baseada em avaliação clínica individualizada, planejamento cuidadoso e domínio técnico do profissional.

Na prática clínica, o conhecimento profundo das indicações e limitações de cada protocolo permite oferecer tratamentos mais seguros, previsíveis e alinhados às necessidades de cada paciente.

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